O vento está dormindo na calçada, o vento enovelou-se como um cão...
Dorme ruazinha... Não há nada... Só os meus passos mas tão leves são que até parecem, pela madrugada, os da minha futura assombração...
Mas vem, Anjo da Guarda... Por que pões horrorizando as mãos em teus ouvidos ? Anda: Escutemos esses palavrões. Pra que viver assim num outro plano ? Entremos num búlicio quotidiano, o ritimo da rua nos convida. Meu pobre Anjo, é... simplesmente... A VIDA!
Eu sei apenas do meu próprio mal, quem não é bem o mal de toda gente, nem é desde planeta... Por sinal. Estre os loucos, os mortos e as crianças é la que eu canto! Numa eterna ronda.
Dentro da noite alguém cantou, abri minhas pupilas assustada. De ave noturna... E as minhas mãos, velas paradas. Depois, denovo, o coração parou. Não foi nenhuma voz amada, foi minha própria voz, fantástica e sonâmbula! Foi, na noite alucinada, a voz do morto que cantou.
Da primeira vez em que me assasinaram, perdi o jeito de sorrir que eu tinha... Depois, de cada vez que me mataram, foram levando qualquer coisa minha... E hoje dos meus cadáveres, eu sou o mais desnudo, oque não tem mais nada, arde um toco de vela amarelada, como o único bem que me ficou!
Minha morte nasceu quando eu nasci, despertou, balbuciou, cresceu comigo... E dançamos de roda ao luar amigo na pequenininha rua em que vivi.
As únicas coisas eternas, são as nuvens!
Na volta escura da escada o Anjo disse meu nome, e o meu nome varou de lado a lado no meu peito, e vinha um rumor de vozes clamando... " Deixe-me, Que tenho a ver com as tuas naus perdidas ? Deixe-me com os meus pássaros... com os meus caminhos... com as minhas nuvens... "
Por favor, deixe o outro mundo em paz, o mistério está neste aqui!..
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